Como podem Crônicas serem tão longas? As Crônicas de Zatzar. Sobre o jogo e o projeto.
Crônica é um estilo de escrita de textos mais curtos, normalmente retratando acontecimentos do cotidiano ou relatos históricos. Às vezes nos deparamos com livros de fantasia que seguem essa mesma métrica, retratando grandes jornadas que, na verdade, são secundárias ao universo do livro, onde os protagonistas não costumam ser pessoas incríveis destinadas a feitos épicos, mas sim a subverter grandes adversidades em sua própria realidade. Por isso, As Crônicas de Zatzar têm esse nome, pois esse é um jogo de personagens.
“As Crônicas de Zatzar, o Flagelo das Terras Livres”
Quando me dei conta, estava no final da minha graduação em Design Gráfico na UNESP e precisava pensar em qual seria o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Na expectativa de encontrar alguma inspiração, passei a frequentar as apresentações dos meus colegas de faculdade e me deparei com o trabalho de TALDIVO, Thaís Marcuz, e BRAGA, Isabelle Benecase, Bravura RPG.

Foi uma mistura de epifania e inspiração. Eu queria criar meu próprio livro de RPG. Vi que era possível, então me dediquei a isso: escrever, ilustrar, diagramar, testar… A lista de trabalho foi longa, mas também foi tudo muito prazeroso. Sempre fui do tipo que se permite ser consumido pelas próprias criações. Passava madrugadas escrevendo e desenhando, mergulhando naquele mundinho de fantasia. E, por mais exaustiva que fosse a rotina, havia um enorme prazer em ver meu projeto crescendo.
O livro, no fim, se tornou uma mistura de tudo que eu queria para um jogo de fantasia. Zatzar foi concebido com o propósito de gerar conversas sobre diferentes perspectivas em temas sensíveis, como religião, política e até mesmo racismo estrutural. Para isso, construí um mundo medieval com forte influência religiosa, com várias perguntas sem muitas respostas diretas, reviravoltas em alguns conceitos de fantasia e um sistema de combate brutal. Além disso, facções e religiões desse mundo são inspiradas em elementos e fatos históricos que, por vezes, acabam por ser relevantes até os dias de hoje.
O mundo das Terras Livres é uma Dark Fantasy. A princípio, isso pode assustar, considerando o tipo de história que o gênero costuma sustentar, mas, ao mesmo tempo, escondi várias doses de humor no meio do livro para tornar tudo mais leve. Esse aspecto sombrio é muito útil para trazer seriedade a alguns tópicos que são intrínsecos ao universo, como o próprio foco religioso das mecânicas e o papel da religião em um cenário medieval. Em um momento, sem perceber, a mesa se pega pensando sobre as zonas cinzentas entre doutrinação e esperança, apenas para, segundos depois, um dos jogadores perder algum de seus equipamentos para a maldição “Toque de Merdas”.
Falando sobre o cenário, a história é bem simples. Havia um grande dragão tirano que reinou sobre todas as Terras Livres, e seu nome era Zatzar. O dragão acabou com o reinado de três reis irmãos e transformou essas terras em vassalas, obrigando o povo a pagar impostos abusivos apenas para saciar sua ganância e ego. O povo foi controlado por um dos grupos religiosos e por exércitos monstruosos a mando do dragão. Houve nobres que recusaram a queda da monarquia e se tornaram senhores da guerra, conquistando e reconquistando terras, transformando o povo em uma espécie de refém de um sistema morto e deturpado, assim como houveram grupos religiosos fomentando acolhimento e julgamento.
Acontece que os jogadores vão viver em um mundo após esses eventos. Todo o ponto do livro é que o dragão morre misteriosamente, deixando um enorme vácuo de poder para trás. Com isso, os jogadores podem apoiar diferentes lados dessa corrida ao trono: um deles pode ser um ex-nobre, outro um paladino que defende sua religião para controlar as Terras Livres, um revolucionário anarquista ou até mesmo um personagem que não liga para nada disso. A ideia é que nenhum personagem seja igual, e o sistema reflete isso. Não existem classes, é você quem escolhe algumas habilidades, e isso definirá a função do seu personagem no grupo.
O livro também tem todo um sistema de magias/milagres, que são totalmente direcionados a entidades tratadas como santos neste mundo. Os leitores também vão encontrar um bestiário, tabelas de itens, itens mágicos e mais detalhes sobre o sistema de desmembramento e sobre o mundo. Se você ficou curioso com o projeto, te convido a dar uma olhada no site Zatzar, lá temos uma demo do jogo completamente gratuita, além do nosso material Físico e digital.

